-Após ter ouvido atentamente a entrevista de Manuel Alegre à Antena 1 da RTP, fiquei com a sensação que o histórico militante e actual deputado socialista, pretende que José Sócrates faça um qualquer acordo pré-eleitoral entre o PS e o milhão de votos que Alegre julga ainda deter. Aqui nasce um equívoco, a maioria presidencial esgota-se no dia da eleição, qual será o prazo de validade que M. Alegre atribui ao seus votos? Em 1976 Otelo Saraiva de Carvalho ficou em segundo lugar nas presidenciais, atrás de Ramalho Eanes, mas à frente de Octávio Pato, então candidato apoiado pelo PCP, voltando a candidatar-se em 1980 obteve uma votação pouco mais que residual. Deixando cair a exigência de revogação do Código do Trabalho, mas pedindo alterações, afirmando que não vai a reuniões do grupo parlamentar porque se fosse já não existia grupo ou governo, procurando forçar a Direcção do partido a demarcar-se das declarações de José Lello, com frases como "a questão não é saber se me quero candidatar nas listas do PS, mas saber se o PS me quer como candidato, com tudo o que isso implica", relembrando que terá sido responsável pela derrota mais pesada na História do partido, ficando à frente do fundador nas últimas presidenciais, Manuel Alegre está claramente convencido que possui uma superioridade moral sobre os militantes socialistas, será curioso agora verificar a reacção de de José Sócrates, se opta por procurar uma qualquer espécie de compromisso, o que inevitavelmente o fragilizará, ou pelo contrário deixa Manuel Alegre sozinho com o seu ego insuflado, agarrado às suas contradições, incapaz como sempre de retirar consequências práticas.