-O Bloco de Esquerda realiza este fim de semana em Lisboa a sua VI Convenção. Na preparação do ciclo eleitoral que se aproxima, os bloquistas procuram ultrapassar o PCP, afirmando-se como 3ª força política no país, objectivo ao seu alcance segundo recentes sondagens nas eleições para o Parlamento Europeu e Legislativas, mas inatingível nas autárquicas, onde terão ainda um longo caminho a percorrer, muito embora possam ver a votação reforçada, conquistando alguns lugares de vereação. Outro grande objectivo será retirar a maioria absoluta ao PS, permitindo assim condicionar a política do executivo, através de acordos pontuais e iniciativas legislativas, claramente Louçã e seus pares não se pretendem comprometer com a governação do país, sentem existir ainda margem para crescer eleitoralmente fora do poder, a coligação na CML demonstrou que o BE ainda não se sente à vontade nesse capítulo. Da estratégia fará parte uma aproximação a figuras do Partido Socialista, desalinhadas da actual direcção, com vista às autárquicas, é claro o namoro com o objectivo de candidatar Helena Roseta na capital, por forma a não perder na inevitável comparação com o resultado obtido por Sá Fernandes, e a cereja em cima do bolo seria contribuir para uma eventual eleição de Manuel Alegre nas presidenciais, o histórico militante socialista tem dado passos significativos na aproximação e convergência de posições, não esconde o desencanto com a governação, e poderia a partir de Belém condicionar José Sócrates, talvez até mais do que Cavaco Silva, apesar da cooperação estratégica ter claramente terminado. Obviamente que este cenário idílico está longe de ser uma realidade, desde logo derrotar Cavaco Silva não será fácil, nunca um PR perdeu a reeleição, o PCP terá uma palavra a dizer, o seu eleitorado tem permanecido constante, e não é líquido que os comunistas embarquem num caminho que os levaria inevitavelmente a votação residual. Mais difícil terá sido ultrapassar a queda do muro de Berlim e o colapso da URSS, muitos apontavam que o país caminharia inexoravelmente para a bipolarização, no entanto o PCP sobreviveu, estabilizou a descida eleitoral que vinha registando, e não será agora às mãos do BE, que a sua já longa história conhecerá o fim.