La démocratie donne toute sa valeur possible à chaque homme, le socialisme fait de chaque homme un agent, un instrument, un chiffre. - Alexis de Tocqueville
06
Abr 10
publicado por António de Almeida, às 10:52link do post | comentar

-Os políticos caem regularmente na tentação da demagogia. Da esquerda à direita todos os partidos defenderam a comercialização de medicamentos em unidose. Para tal utilizaram um cálculo simples, dividiram o preço da caixa pelo número de unidades que a mesma contém, valorizaram o desperdício, estimando o valor que seria permitido ao Estado e utente poupar. Esqueceram foi incluir os custos com rotulagem e  embalagem que uma medida deste tipo implicaria. Após publicação e entrada em vigor da Lei, o que implicou custos com estudos e pareceres desnecessários, o governo vem agora deixar cair a medida.

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Na realidade se não fosse o proteccionismo à industria farmacêutica, que permite que o Benurom fique mais barato que o genérico paracetamol, a unidose permitiria uma poupança ao estado e ao utente considerável! Em particular nos hospitais que têm que comparticipar em ambulatório o que lhes ficaria de graça em unidose na sua farmácia...

Mas como quem paga é o contribuinte...
manuel gouveia a 6 de Abril de 2010 às 12:26

Os hospitais já fornecem em unidose, porque não se lhes aplica a mesma exigência de rotulagem e embalagem que têm as farmácias. A questão do ambulatório poderia aí ser de fácil resolução, mesmo sem conhecer os números não me parece que resida aí o grande obstáculo. Existe sim a venda de unidoses no mercado americano e inglês, mas não na Europa continental. Se aceitares alterar as regras do circuito, tal será possível, mas terás de deixar de alinhar com Espanha e França.

O ambulatório nos hospitais pesa na sua factura, uma vez que a comparticipação dos medicamentos lhes sai do orçamento... é claro que para a industria farmacêutica é sempre mais atractivo vender, por utente, uns medicamentos a mais...

Mas como sabes as regras de embalagem e rotulagem são aqui mais apertadas que noutras paragens. Embalares 28 comprimidos sai mais por unidade que apenas um. Aumentando o custo por unidade a poupança esperada desaparece. A questão é, aceitas alterar regras, ou queres que seja a industria a pagar? Esquece que a industria não o fará, os custos vão imediatamente transferidos para o PVP.

Se a política de comparticipação no medicamento mudar, a indústria irá atrás...

Eu tenho uma solução muito simples. Tão simples que não interessa aos negociantes do ramo. As farmácias recolhiam os sobrantes que as pessoas aí iriam depositar. Aos clientes carenciados em vez de venderem distribuíam as ofertas. Ai não?
a.marques a 6 de Abril de 2010 às 13:37

Onde estaria a garantia de segurança? Uma vez que as embalagens teriam sido abertas.

Uma boa questão. Se o problema for só por aí pode ter solução. O médico diz tempo e quantidade e o sobrante fica logo nas farmácias.
a.marques a 6 de Abril de 2010 às 14:01

Mas isso era algo parecido com o propósito inicial do governo. Os custos de armazenamento nem seriam assim tão grandes, só que implica abdicar da exigência de rotulagem e embalagem individual, o que nos levaria para práticas existentes nos EUA e UK. Precisamente o que o governo não quer, por não interessar ao Infarmed, Apifarma, ANF. O excesso de regulação dá nisso...

Se o desperdício de 1/2 por 1/2 por meio não tem solução somos acabados desistentes.
a.marques a 6 de Abril de 2010 às 14:19

Ter solução, tem. Passar a vender em unidoses, mas tal implicaria abandonar a ideia de rotulagem e embalagem individual, seguir a prática anglo-saxónica, esquecendo a europeia continental. Só que aí há uma escolha política a fazer...

" Aprendi " hoje, numa entrevista deveras interessante, que as escolhas políticas têm muito que se lhe diga...

resumindo... estamos doentes, comparamos 200 pastilhas quando só precisamos de 20. Depois o estado comparticipa pagando o desperdício e as grandes empresas ficam satisfeitas.

Não entendo a tua defesa nos gastos do estado.
Daniel João Santos a 6 de Abril de 2010 às 23:05

A questão não é essa Daniel, não podes obrigar um agente económico (farmácia) a investir numa máquina para fragmentar embalagens, e quereres ainda que ele mantenha o preço. É muito simples, a Lei já entrou em vigor, mas nenhuma farmácia a colocou em prática, porque não fazem o investimento, logo não vendem o artigo. O problema é que ninguém quer comercializar o artigo.

E porque não criar mini-doses? Creio que todos concordamos que no caso dos antibióticos existe um claro desperdicio, algo que não aconteceria se diminuissem o tamanho dos frascos.
Renato Seara a 7 de Abril de 2010 às 11:33

Caro Renato

Discutir em concreto é difícil, até porque desconheço a maioria dos medicamentos, posso dizer-lhe que um dos últimos que tomei vinha em caixa de 7 unidades, para consumir os 7. Quando assim acontece, é excelente. Mas nem sempre tal é possível. Como sabe, quanto menor a embalagem, maior o custo por unidade.

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