-Os militantes do PSD perceberam que Paulo Rangel não protagonizava qualquer ruptura, pelo contrário, a palavra era até algo incompatível com a presença a seu lado dos rostos da direcção cessante, para além dos apoios mais ou menos óbvios recebidos do inquilino do Palácio de Belém e do Presidente da Comissão Europeia, também eles sem grande motivo para sorrir, porque de certa forma o resultado também expressa algum afastamento do partido à sua influência. Mas a esmagadora vitória de Pedro Passos Coelho representa em primeiro lugar uma derrota da estratégia seguida nos últimos dois anos por Manuela Ferreira Leite. A exclusão de adversários nas listas de candidatos a deputados, a teimosia em permanecer no cargo após o desaire eleitoral nas legislativas, a viabilização pela abstenção na votação do O.E. e já esta semana do PEC, foram claramente rejeitadas pelas bases do partido, que querem uma mudança efectiva e não apenas retórica. Fica também evidente que o PSD Madeira é um partido completamente autónomo, o único círculo onde Paulo Rangel venceu e logo com 87 por cento dos votos. A conclusão a retirar é que Alberto João Jardim pode ser dono dos votos do partido na região, mas sai também derrotado, porque se tornou irrelevante no país. A bola fica agora no campo de Pedro Passos Coelho, ontem ganhou o partido, mas é preciso a partir conquistar a confiança dos portugueses, construir uma alternativa credível ao governo do Partido Socialista, sob pena de ser apenas mais um líder que alcançou o poder no PSD.