Duas, não, três notas:
1 - Curioso que o amigo já dá como garantida uma maioria de esquerda no próximo Parlamento; isso é que é (des)crença ...
2 - Espero que o tema seja debatido e aprovado ou não em referendo;
3 - A existir referendo que o resultado seja respeitado e não como alguns sectores pretendem na questão da aborto, ou seja, nova maioria, nova realidade.
Finalizo dizendo que a Igreja Católica tem toda a legitmidade para defender os seus princípios, mas que quem tem telhados de vidro não devia atirar pedras de tão grandes dimensões!
É que sujeita-se a que os sectores mais histriónicos dos ditos progressistas enveredem igualmente pela via rasteira.
Caro Ferreira-Pinto
1-É evidente que teremos maioria de esquerda na próxima legislatura, mesmo que o PSD vença (pouco provável), a questão é saber se teremos dois terços de esquerda.
2-O assunto pode ser dabatido, mas deveria ser resolvido através de referendo, evitando que uma maioria diferente revogasse a Lei no futuro.
3-Pela mesma razão, julgo que não existirá problema em referendar novamente a IVG, após algum tempo da Lei em vigor, já alterar apenas na A.R. sou contra, apesar de ter votado NÃO.
Julgo que a IC tem a mesma legitimidade que qualquer outro grupo para expressar os seus pontos de vista, pessoalmente entendo que não deveria apelar ao voto em A ou B, mas não sendo católico praticante, a questão passa-me ao lado.
A Igreja Católica pode dizer o que bem entende.
Caminha muito mal se apelar ao voto no CDS ou PSD
Se o PS vencer as eleições tem todo o direito de criar essa lei.
O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo de modo algum é questão de consciência .
O que é que um eleitor evangelista tem que ver com a vida intima dos seus vizinhos do 2º andar quer sejam casados, solteiros, prostitutas, etc, etc, nada.
Caminha muito mal se apelar ao voto no CDS ou PSD
-Completamente de acordo.
Se o PS vencer as eleições tem todo o direito de criar essa lei.
-É um facto, mas em 2013 uma maioria diferente terá igualmente o direito de a revogar. Daí a necessidade de referendar, uma vez que a matéria é polémica.
-Pessoalmente não me considero homofóbico, relaciono-me com homossexuais sem problema algum, conheço vários, mas defendo uma união civil registada, aceito que outros tenham opinião diferente, por isso defendo o referendo.
Obviamente que estamos de acordo quanto ao referendo.
Já sobre as alterações legislativas apenas porque uma nova maioria sucede a outra, não acha que de alterações legislativas constantes estamos todos nós cheios?
O que o País precisa é que a legislação seja posta em prática e executada conforme deve ser.
Na questão da IVG (onde votei SIM), qual a justifcação para novo referendo?
Não será apenas a necessidade de (re)ganhar o que se perdeu?
Quando introduzi esta questão foi precisamente para assinalar que na sociedade portuguesa existem sectores (em ambos os lados do arco constitucional) que convivem um bocado mal com a derrota.
Quanto à Igreja Católica tomar posição, também não a quero impedir mas convinha que, primeiro, se recordasse que o poder temporal e o espiritual há muito se separaram; que vamos ter três actos eleitorais e que cada um é um momento próprio pelo que misturar alhos com bugalhos não conduz a nada; depois a fiabilidade das pessoas e das organizações não se mede por uma proposta nem por uma prática, pois se assim fosse estava a Igreja Católica muito mal com os casos de pedofilia em que elementos seus se envolveram!
Na questão da IVG (onde votei SIM), qual a justifcação para novo referendo?
-Da primeira vez ganhou o NÃO, qual foi a necessidade de segundo referendo? Não defendo referendos a toda a hora, mas passado um tempo a questão pode ser reavaliada, e confirmada ou não, depois vamos lá a ter calma.
-Em relação à IC acho muito bem que defenda a não legalização de casamentos homossexuais, mas já tenho dificuldade em perceber indicações de voto, julgo que fui claro, os casos de pedofilia que fala, responsabiliza os próprios e não a instituição, da qual não me considero membro. Aliás perderia mais o país, e o próprio PS se permitir que a campanha eleitoral se torne um plebiscito a esta questão, que nem sequer será consensual no interior do partido, e mesmo o PCP tenho dúvidas, conheço bem os feudos comunistas no Alentejo, e alguns dirigentes locais, não creio que o eleitorado vá todo na mesma onda...
Por partes, por partes ....
Não leve como ataque pessoal qualquer coisa que eu escreva. Calma.
Ficam aqui mais umas perguntas apenas:
- O referendo a que alude foi vinculativo?
- Insisto: a não legalização da IVG trazia a felicidade de quem?
- Quantos dos que comodamente defendem o NÃO tomam ou tomaram medidas de apoio à infância?
- Estamos de acordo quanto à não indicação de voto por parte da Igreja (mas, queira ou não, foi já dada de forma mesmo indirecta que seja);
- A pedofilia só foi chamada à baila como lembrete e se vir bem eu também deixei bem claro que não tomo a nuvem por Juno;
- Mas, já agora, quais as sanções da Igreja instituição aos prevaricadores e, aos olhos da Lei, criminosos?
- O PS devia gerir estas coisas com cautela pois este é um daqueles domínios em que está a por-se a jeito para nada!
Nenhum referendo foi até hoje em Portugal vinculativo. No entanto a tradição e boa prática até hoje, sempre permitiram respeitar os resultados, fossem eles quais fossem. Espero que assim continue. A não legalização da IVG trazia desde logo os cofres da segurança social mais saudáveis, porque agora permite-se engravidar à experiência, e se não estiver satisfeita no final de 10 semanas nós pagamos. Só essa razão bastaria para me fazer votar NÃO. Tenho dúvidas quanto ao resto, mas inclino-me para considerar um feto como forma de vida, e não vi até agora ninguém provar o contrário, não vamos inverter o ónus da prova, na dúvida decido a favor da vida, mesmo que suposta. Quanto ao resto passa-me ao lado, se um membro do clero for pedófilo deve responder criminalmente perante um Tribunal, se responde também perante um Bispo, Cardeal, Papa ou Deus, já não me diz respeito, enquanto cidadão basta-me que responda na Justiça. Quanto ao resto, caro Ferreira-Pinto , não levo nada a peito, gosto de debater, quando o interlocutor apresenta argumentos, e claro, quando tenho tempo.
Porque não então referendar a legitimidade de pessoas de raça negra heterosexuais casarem com pessoas brancas heterosexuais? ou ciganos? ou qualquer outra minoria?
Assuntos que só dizem respeito à consciência de cada um não se referendam. Em termos racionais em nada afecta ninguém, a não ser os próprios, duas pessoas do mesmo sexo casarem. A única influência que poderá ter na restante sociedade é que as pessoas homófobas terão menos justificações para descriminar (insultar, desvalorizar, violentar) os homosexuais. Isso sim deve preocupar os políticos. A possibilidade dos homosexuais poderem casar civilmente, é claramente uma evolução da humanidade e dos direitos humanos mais básicos, cabe ao governo mover acções nesse sentido, esteja ou não de acordo a maioria da população.
fddsf a 11 de Fevereiro de 2009 às 19:24
-Não estou neste post a defender a minha posição, por sinal esclareço que defendo a união civil registada, mas a legitimidade de todos expressarem opinião, e todos inclui a Igreja Católica, todos são todos, quer os que defendem o casamento homossexual, quer os opositores. O referendo servirá para legislar apenas uma vez, e não andarmos a alterar legislação conforme as convicções da maioria de circunstância.
Discordo do referendo, não me aprece que eu tenha o direito de decidir a vida dos outros.
Se seguirmos essa lógica também não deveriamos ter referendado a IVG, nem no futuro o poderemos fazer em relação à eutanásia.
Boas...
Concordo com a possibilidade de referendo.
se estamos numa Democracia, um dos cernes da Liberdade, é a liberdade de opção e decisão.
abr...prof...
NuNo_R a 11 de Fevereiro de 2009 às 22:35