La démocratie donne toute sa valeur possible à chaque homme, le socialisme fait de chaque homme un agent, un instrument, un chiffre. - Alexis de Tocqueville
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Out 08
publicado por António de Almeida, às 17:34link do post | comentar

      -Em qualquer manifestação onde se unem movimentos, existem naturalmente diversas motivações, ainda que sob um qualquer denominador comum. Os professores defendem a suspensão do actual sistema de avaliação, muitos estarão certamente de boa fé, apenas contra um método excessivamente burocrático, que obriga a relatórios inúteis e desvia os docentes da sala de aula que é o lugar onde pertencem. Mas vamos falar claro, muitos professores estão na realidade contra qualquer método de avaliação, preferindo um sistema de progressões automáticas na carreira mediante antiguidade. Nada mais retrógrado, em qualquer profissão existem bons e maus, os professores não constituem excepção, não é justo que o absentismo, a falta de dedicação e a mediocridade tenha o mesmo valor que o profissionalismo  e a excelência. Desde logo é injusto para com os bons, e principalmente para com os alunos, a educação existe para formar pessoas, não para dar coutada a uma corporação. Estou de acordo que este modelo de avaliação possa ser aperfeiçoado, desde que os professores aceitem partir do princípio que terá de existir uma avaliação, que permita separar o trigo do joio.


ui... tocaste na ferida... na mente deles o Professor é um altivo que avalia, não é avaliado...

existem muitas variantes e especificidades que dão razão à manifestação dos Professores, mas essa é uma causa comum por que todos os Professores lutam... quanto às outras há maiores divisões....
alexandre corrupto a 31 de Outubro de 2008 às 19:59

Sou professor e defendo a avaliação, não entre pares, mas por inspectores e pelo Conselho Executivo.
Chega de resmas e resmas de papel gastas inutilmente por cada docente , não com os seus alunos, mas literalmente com "conversa da treta"....
não titular a 31 de Outubro de 2008 às 22:47

Estamos de acordo, pelo que me foi dado a perceber o modelo de avaliação é excessivamente confuso e burocrático, mas seria preferível as associações de professores e sindicatos proporem alternativas a pedirem pura e simplesmente a suspensão da avaliação.

não acredito em progressões automáticas, acredito em progressão pelo mérito, embora por cá isso seja quase impossível...
Tiago R Cardoso a 31 de Outubro de 2008 às 21:13

Meu caro, creio que, como a maioria das pessoas continua e vai continuar intoxicado com o que lhe dizem sobre os professores. Não é fácil avaliar um professor, porque o mesmo professor pode ser muito bom numas coisas e péssimo nas outras. Ora, o que acontece, é que raramente se consegue ser bom em tudo, uma vez que é uma profissão muito exigente. Agora, o que prefere, um professor bom a fazer papéis ou a dar boas aulas? É que, normalmente, quem dá boas aulas está-se nas tintas para os papéis e, por outro lado, quem não é bom a dar aulas especializa-se nos papéis e vai para ministro, secretário de estado, director ou mero burocrata de escola... O que prefere?
quink644 a 31 de Outubro de 2008 às 22:56

Julgo que a resposta está dada acima ao não titular. Quero avaliar sem burocracia.

Não está não...
Como quer, por exemplo que um professor seja avaliado porque houve alunos que deixaram de ir às aulas... Eu tenho muitos que estão inscritos e que nunca os vi nem uma única vez... O quê que eu faço, mando a PSP ou a GNR buscá-los?
Para lá disso sempre fui avaliado, contrariamente ao que dizem, e mais, fui em provas públicas, com artigos publicados, com defesas de tese, com coisas que são bastante sérias e difíceis... Ah! e não podia ser por Fax...
quink644 a 1 de Novembro de 2008 às 00:15

Se a avaliação for ponderada, um professor que tenha digamos 10 maus alunos, eles já seriam certamente maus alunos no ano anterior, de acordo? Por isso os objectivos a atribuir devem em primeiro lugar ser imputados à escola, levando em conta o ponto de partida para conseguir melhorar os resultados, depois a escola irá fazer reflectir os seus objectivos na definição das metas a atingir por cada professor. Ou julga que defendo que um professor dê 18 à turma inteira? Um excelente professor pode não ter alunos que consigam mais de 13 e um professor menos bom pode ter uma turma onde a média ande pelos 16, 17. Daí que afirmo, avaliação é obrigatória, preferencialmente menos burocrática e mais justa. O problema é que o ministério quer tudo na escola e tudo a passar, daí as aberrações que refere, e bem. Por isso no post começo por dizer que nestas alturas surge misturado o trigo com o joio, quem está efectivamente preocupado com a melhoria do ensino, apontando crítica construtiva, juntamente com os que não querem qualquer modelo de avaliação, nem ensino de rigor, pretendendo manter instalado um corporativismo que permita progredir na carreira sendo bom ou não, por antiguidade, sem necessidade de lutar para preservar o posto de trabalho porque é um direito adquirido.

E o que fazer quando se trabalha em escolas com contratos de autonomia, com objectivos e metas traçadas que estão acima daquilo que os alunos realmente são e conseguem fazer? Como se pode estabelecer objectivos reais se aqueles que a escola se propôs estão desfasados da realidade?
alex a 1 de Novembro de 2008 às 09:26

Aí é simples, que fazer quando uma empresa propõe objectivos irrealizáveis? Que fazer se o Trofense exigir ao seu treinador que conquiste o título nacional com o actual plantel? As metas em qualquer actividade terão de ser justas, devem sempre procurar incorporar algum factor crescimento, mas não podem ser atiradas para o inatingível , de contrário é a história da cenoura e do burro. Mas como defendo que o financiamento da própria escola deve também ele incorporar algum valor variável em função do desempenho, lá estará o director para evitar que o objectivo seja irrealizável , de contrário também ele será penalizado. O que defendo é aplicar na escola os fundamento da gestão privada, nenhuma empresa exige por exemplo que se vendam tantos automóveis em Bragança como em Lisboa, e pode até acontecer que esteja a ser desenvolvido um melhor trabalho em Bragança. Nenhum ministro, secretário de estado ou director de escola pode exigir os mesmos resultados no Restelo ou na Cova da Moura. Mas pode exigir evolução a ambos, os objectivos é que serão quantitativamente diferentes, levando em consideração sempre o ponto de partida, para poder aferir se houve ou não evolução. Imagine as 2 escolas, com os mesmos alunos, a turma A do Restelo com os mesmos alunos do ano anterior, obteve uma média de 17 a matemática, o ano passado tinham obtido 17,5, a turma da Cova da Moura que o ano passado não tinha ultrapassado os 9,5% este ano chegou aos 11. Quem trabalhou melhor? Claro que este exemplo é demasiado simples, existem outras variantes como as diferentes disciplinas, por exemplo quando uma turma mediana consegue resultados acima da média numa determinada disciplina é capaz de existir mérito do professor, digo eu, mas o inverso também é verdadeiro. É que eu tive professores excelentes, bons, menos bons e maus, não é justo serem todos aumentados por igual.

Infelizmente, continua sem ter razão e a demonstrar que não sabe do que está a falar. Imaginemos o seu exemplo, um professor tem 10 alunos maus, no ano seguinte seriam na mesma 10 maus... Porém , na prática, não é assim, basta chegar um aluno novo que destabilize a turma para passar a ter 20 maus, sem que consiga resolver o problema embora saiba qual é... Depois, não acredito que tantos alunos não tenham capacidades, também os há, mas o mais frequente é eles, e os pais, não quererem saber, por não verem um futuro promissor, por serem jovens, muitas vezes por estarem completa e consecutivamente drogados, por faltarem, portarem-se mal e não haver problema, etc. Quanto ao resto, o nível baixou tanto que apenas um mentecapto não conclui aquilo...Ora a consequência disto foi ao contrário do esperado, mas compreensível, tanta bandalheira desinteressou os alunos mais capazes e mais interessantes, os quais, numa turma normal, têm vergonha de terem boas notas... Acredite que é verdade... É muito mais fixe ter um zero, com o qual se ufanam todos, do que um vinte... desde logo porque muitas vezes só colocam o nome e até sabem fazer, mas não estão para isso... Temos logo um problema, deixamo-los sair, e isso arrasta logo meia dúzia para irem com ele ou mantemo-lo lá e é uma balbúrdia até ao final das aulas, o que impede os outros de se concentrarem? São coisas deste tipo que nos complicam a vida... E isto são, apenas, duas pinceladas...
quink644 a 1 de Novembro de 2008 às 10:01

-E pergunto, qual a solução que defende? Deixamos o professor à mercê, impedido de exercer autoridade, que não confundo com autoritarismo, e pactuamos com a bandalheira em nome da escola inclusiva e dos amanhãs que cantam, mas que infelizmente nunca os conseguimos ouvir? Aqui não vou buscar um exemplo à economia, prefiro a medicina, se tiver um tumor localizado a solução é extraí-lo. Esse aluno desestabilizador deveria ser expulso e obrigado a repetir no ano lectivo seguinte, tantas as vezes quanto necessárias até que complete 18 anos, e se for expulso em Outubro ou Novembro, azar o dele. Entretanto por ser expulso perde (os pais) direito a apoios sociais, ou pelo menos sofre penalização. Veremos se conseguimos ou não um efeito dissuasor. Repito, não avaliar, para mim não é opção, isso tem sido a prática ao longo dos anos, fugir ás responsabilidades, no ensino e não só!

Bom, isso é o lógico e foi o que se fez ao longo dos anos, agora é proibido... Que fazer? O aluno tem que lá ficar, mesmo já se sabendo chumbado e só vai fazer asneiras até ao fim do ano.
A solução que eu defendo, na maior parte dos casos, era voltar atrás e começar a voltar atrás no 1º ciclo, uma mudança na educação leva, pelo menos, 10 ou 12 anos a fazer, embora se consiga estragar num só... Tal como formar um professor, leva muitos anos a formar-se e não são só anos académicos, é preciso experiência e essa vem com os anos. Ainda assim, uns têm mais aptidão natural do que outros e aí a experiência é fundamental, para dar tempo ao professor de se adaptar e começar a saber sê-lo. Para destruir um professor basta um dia e nestes 3 anos vi milhares de professores a serem perfeita e totalmente destruídos, a maior parte sem remédio, reformaram-se... Acredite que foi uma sangria muito forte e penalizadora para a Escola...
Mas veja ainda melhor, para formar um professor são necessários: 12 anos de escolaridade, com boas notas, senão não se entrava para a faculdade, no meu tempo só havia as do estado e a católica... 6 anos do curso de Filosofia via Ensino, sendo o último o de estágio que era o pior (aí muitos desistiram e ficaram pelo caminho) consistia em trabalho observado por tudo o que era avaliador (cheguei a ter 6 nas minhas aulas...) e, ao mesmo tempo, seminários na faculdade que eram tudo menos simples. Seguiram-se 2 anos de período probatório, onde era anualmente avaliado, pois estava à prova, além de que começava o périplo pelo país... (até aos Açores fui para um ano). Quando consegui estabilizar mais um pouco, só estava a 80 Kms de casa, seguiram-se mais 3 anos de mestrado (e que anos, em História Contemporânea na Clássica); quando terminei, com muito bom por unanimidade louvor e aclamação, já tinha sido convidado para prosseguir para o doutoramento, sempre a dar aulas, naturalmente. Quando me meti nisso, alteraram-me as regras do jogo e obrigaram-me a permanecer na escola horas a fio, sem nada para fazer, e tive de desistir, pois não era possível ir assistir à parte lectiva, depois, foi a desmotivação completa... Medo de ser avaliado? Nenhum, toda a vida o fui, e não era com informática para principiantes, eram acções e cursos que ia fazer à Faculdade pública e que, por isso, a partir de certa altura, tinham que ir para Braga para serem reconhecidos, talvez pelo facto de serem ministrados apenas por doutorados... É esta a vida de um professor, que se viu impedido de continuar a ser avaliado ...
quink644 a 1 de Novembro de 2008 às 10:51

Afinal temos posições mais próximas do que à primeira vista faria supor. Por isso repito, o trigo deve ser separado do joio, os bons professores nada têm a temer se apresentarem ao país uma proposta de avaliação alternativa à do governo, que me parece complicada, burocrática e elaborada com o objectivo de reduzir custos. Se algumas associações, dos sindicatos nada espero, apresentarem uma proposta clara e de fácil percepção, o governo será obrigado a discuti-la, mas não esperem pela oposição, daí também não virá nada de jeito. Esta é uma altura em que os professores, nomeadamente os mais conceituados no topo da carreira, poderiam fazer a diferença, sem sindicatos nem partidos políticos. É a minha opinião.

http://porquemedizem.blogspot.com/2008/11/religiosamente-vos-digo.html#links

Nem dos sindicatos, nem do governo, nem de ninguém espero nada... Só espero continuar a conseguir manter os meus filhos... na escola privada... o que, com o que eu ganho, está cada vez mais difícil...
Veja bem o que é o desespero...
quink644 a 1 de Novembro de 2008 às 11:52

Os Professores com uma manifestação nacional única marcada para o dia 8 de Novembro , em Lisboa, convidam todos, a participarem neste grande protesto. Vamos todos: alunos, encarregados de educação, auxiliares de educação, elementos da escola segura, cidadãos preocupados pelo seu futuro e pelo futuro dos seus entes queridos, participar neste evento. Por uma educação nova. Por uma educação melhor.
Anónimo a 1 de Novembro de 2008 às 00:40

Caro anónimo, uma educação nova e melhor queremos todos, julgo que até a ministra e o seu secretário de estado. A maneira de lá chegar é que já não se apresenta tão fácil. Venham propostas concretas, chavões vagos é pouco.

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