-Como é sabido o governo irá aprovar hoje em Conselho de Ministros o Programa de Estabilidade e Crescimento. Apenas na próxima semana o documento será apresentado aos partidos da oposição, mas o ministroda propaganda Jorge Lacão vem já pressionar o PSD, considerando que o principal partido da oposição está vinculado ao diploma por via da abstenção na votação do O.E., uma espécie de cheque em branco para uso futuro, o qual não carece de votação parlamentar, mas tem sido discutido na campanha para a eleição do presidente do PSD, havendo inclusivamente quem admita a possibilidade de apresentar uma moção de censura.
-A economia portuguesa enfrenta problemas estruturais e conjunturais. Os primeiros decorrem da legislação laboral, asfixia fiscal, burocracia e lentidão da Justiça, sobre esses o governo, apesar da tão propagada capacidade reformista, nada fez durante a anterior legislatura, podem falar à vontade no Simplex ou empresa na hora, mas aquilo é mera propaganda. Para atacar os segundos, a crise, a opção recaiu sobre bonificação de juros, que se revelaram totalmente ineficazes face à subida dos encargos, na contratualização de empréstimos junto da Banca ou mitigados benefícios fiscais, para cúmulo demasiado complexos. Perante este cenário negro, alguém poderá ficar admirado que os empresários optassem por não utilizar o dinheiro colocado à disposição pelo governo? Bem pode o primeiro-ministro encher a boca com palavras optimistas, mas quem vive dificuldades no dia a dia ouve aquele discurso com a mesma credibilidade que atribui ao vendedor de banha de cobra. À excepção das grandes empresas do regime, algumas operando no mercado em situação de monopólio, os resultados estão à vista, com o inevitável aumento do desemprego.
-Os sindicatos não existem para defender a economia, o governo, nem os interesses do país, mas quem lhes paga. A taxa de sindicalizados na função pública é muito superior à registada nas empresas privadas. O funcionário público tem emprego garantido para a vida, se o patrão, leia-se Estado, atravessar uma crise económica, aumenta impostos, já uma empresa privada entra em falência, lançando os trabalhadores no desemprego. Recorrendo à greve os sindicatos procuram em último lugar a sua própria sobrevivência, que depende do número de sindicalizados. Não é para levar a sério, aliás eles próprios não se levam a sério, João Proença até está em Moçambique, sabem que nada terão a receber do governo em matéria de reivindicações salariais, mas utilizam um direito legalmente consagrado para consumo interno. A esquerda crente nos amanhãs que cantam, sonhando com uma luta que traga a revolução elogia, a outra esquerda afecta ao governo do admirável líder, protesta, como seria diferente a sua postura se o PS estivesse na oposição, mas coerência é algo que por ali não abunda, a direita como sempre, critica. Por mim prefiro ignorar, separo o essencial do acessório, a greve não me interessa, mas sim reduzir o Estado. O resto virá por acréscimo, será consequência e não causa.
-Seria inevitável os militantes do PSD livrarem-se da tutela de barões e notáveis, que remeteram o partido para a oposição durante a última década e meia, com um breve interregno de dois anos. Para cúmulo a chamada boa moeda, apesar da verdade e credibilidade que não se cansou de apregoar, ficou nas últimas legislativas reduzida à mesma expressão eleitoral que Santana Lopes em 2005, apesar deste ter travado um combate eleitoral em condições bem mais adversas. Salvo algum deslize de última hora, o que constituiria enorme surpresa, Pedro Passos Coelho será o senhor que se segue na Rua de S. Caetano. Seguro no debate com Paulo Rangel, prepara-se para conquistar o Congresso e vencer as directas. Não pretendo analisar aqui o programa do mais que provável líder do PSD, mas destaco pelo positiva algumas propostas de privatização de empresas públicas, entre as quais um sorvedouro de dinheiro do contribuinte, chamado RTP e também algum distanciamento de Belém. Pela negativa, não percebo o rumo programático a seguir, umas vezes mais liberal, outras próximo da social-democracia, demasiado para meu gosto, mas alguns apoios de autarcas terão certamente um preço a pagar e não será certamente encolhendo o Estado como o país necessita, porque o PSD sempre foi um partido, tal como o PS, que encontrou na coisa pública múltiplas possibilidades de conquistar o aparelho, oferecendo empregos aos militantes.
-Lembram-se dos verde-eufémios? A Comissão Europeia autorizou o cultivo e comercialização de batata transgénica, pelo que será avisado os interessados no cultivo tratarem de assegurar a defesa da sua propriedade. Passados dois anos e meio da bardinagem levada a cabo em Silves, os energúmenos ainda não foram sentados no Tribunal e será muito pouco provável que venham a ser penalizados, enquanto o agricultor viu destruído o fruto do seu trabalho.
-Sempre à defesa contra o estado geral de bovinidade, já lá vão 6 anos de Blasfémias, um espaço que consta das minhas rotinas diárias de visita pelo universo dos blogues. Estão de parabéns os autores.
-Já aqui alertei várias vezes para as consequências da política económica do governo socialista, o aumento da carga fiscal sobre trabalhadores e empresas verificado ao longo dos últimos anos provocaria forçosamente maus resultados. Lá diz o ditado, quem tudo quer...