-A economia portuguesa enfrenta problemas estruturais e conjunturais. Os primeiros decorrem da legislação laboral, asfixia fiscal, burocracia e lentidão da Justiça, sobre esses o governo, apesar da tão propagada capacidade reformista, nada fez durante a anterior legislatura, podem falar à vontade no Simplex ou empresa na hora, mas aquilo é mera propaganda. Para atacar os segundos, a crise, a opção recaiu sobre bonificação de juros, que se revelaram totalmente ineficazes face à subida dos encargos, na contratualização de empréstimos junto da Banca ou mitigados benefícios fiscais, para cúmulo demasiado complexos. Perante este cenário negro, alguém poderá ficar admirado que os empresários optassem por não utilizar o dinheiro colocado à disposição pelo governo? Bem pode o primeiro-ministro encher a boca com palavras optimistas, mas quem vive dificuldades no dia a dia ouve aquele discurso com a mesma credibilidade que atribui ao vendedor de banha de cobra. À excepção das grandes empresas do regime, algumas operando no mercado em situação de monopólio, os resultados estão à vista, com o inevitável aumento do desemprego.