-Seria inevitável os militantes do PSD livrarem-se da tutela de barões e notáveis, que remeteram o partido para a oposição durante a última década e meia, com um breve interregno de dois anos. Para cúmulo a chamada boa moeda, apesar da verdade e credibilidade que não se cansou de apregoar, ficou nas últimas legislativas reduzida à mesma expressão eleitoral que Santana Lopes em 2005, apesar deste ter travado um combate eleitoral em condições bem mais adversas. Salvo algum deslize de última hora, o que constituiria enorme surpresa, Pedro Passos Coelho será o senhor que se segue na Rua de S. Caetano. Seguro no debate com Paulo Rangel, prepara-se para conquistar o Congresso e vencer as directas. Não pretendo analisar aqui o programa do mais que provável líder do PSD, mas destaco pelo positiva algumas propostas de privatização de empresas públicas, entre as quais um sorvedouro de dinheiro do contribuinte, chamado RTP e também algum distanciamento de Belém. Pela negativa, não percebo o rumo programático a seguir, umas vezes mais liberal, outras próximo da social-democracia, demasiado para meu gosto, mas alguns apoios de autarcas terão certamente um preço a pagar e não será certamente encolhendo o Estado como o país necessita, porque o PSD sempre foi um partido, tal como o PS, que encontrou na coisa pública múltiplas possibilidades de conquistar o aparelho, oferecendo empregos aos militantes.