-A investigação do caso "face oculta" terá revelado apenas a ponta do iceberg, há muito que o Estado se encontra parasitado pelos aparelhos partidários, constituídos por gente que começou a carreira política nas jotas, entrando no clube de acesso mais ou menos restrito dos empregos nas empresas e administração pública. É também por aí que se encontram grande parte dos militantes e activistas dos principais partidos, onde são recrutados angariadores para financiamentos em esquemas envolvendo aquisições de bens e serviços através de redes de cumplicidades e favorecimentos, o que não implica de forma alguma que todas as práticas, mesmo que censuráveis, tenham de ser classificadas como ilícitas. Os mais bem sucedidos ascendem depois no interior das organizações a que pertencem. Ninguém se iluda, o problema não reside apenas nas pessoas mas no sistema, enquanto o Estado não emagrecer, a administração permanecer centralizada, a nossa própria cultura enquanto povo não mudar, a tendência será para continuar com o regabofe.