La démocratie donne toute sa valeur possible à chaque homme, le socialisme fait de chaque homme un agent, un instrument, un chiffre. - Alexis de Tocqueville
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Mar 08
publicado por António de Almeida, às 23:17link do post | comentar
Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

publicado por António de Almeida, às 23:10link do post | comentar | ver comentários (1)
Álvaro de Campos

Se te Queres

Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

publicado por António de Almeida, às 10:54link do post | comentar | ver comentários (3)
-Os burocratas do ministério da educação, sentados nas suas secretárias da 5 de Outubro, puderam ontem assistir, ao resultado das suas políticas implementadas nas últimas décadas, o eduquês em todo o seu esplendor. Aquela turma, julgo que o 9º C, da escola secundária Carolina Michaelis, acabou prestando, ainda que involuntariamente um grande serviço ao país, hoje sabemos exactamente, que as escolas funcionam apelando ao bom senso e colaboração de pais e alunos, sem que os professores exerçam qualquer tipo de autoridade. Não é permitido suspender ou expulsar um aluno, procuram-se todas as formas de facilitismo, que visem evitar reprovações, para orgulhosamente se exibirem estatísticas, permitindo que os jovens sejam formados numa cultura onde impera a bardinagem, o desrespeito pelas mais elementares regras de civismo, educação e respeito pela autoridade. Exige-se ao governo que tome medidas, naturalmente não para resolver este caso concreto, mas que possibilite á escola uma maior autoridade, autonomia, onde os professores saibam exactamente as suas competências, e assumam as responsabilidades, quem não quiser, saia do sistema, existem outras profissões, e os alunos, passem a estar OBRIGADOS a comportamentos sociais aceitáveis, sob pena de suspensão, expulsão para reincidentes. Os paizinhos podem começar por dar chazinhos ás criancinhas, e educarem os seus filhos em casa, não podem é exigir da sociedade, que esta seja obrigada a aturar e corrigir, o resultado dos fracassos e frustrações familiares.

publicado por António de Almeida, às 09:50link do post | comentar
J.N.-"PSD deve abrir-se à Esquerda"


-Em matéria de guinadas á esquerda, não creio que Luis Filipe Menezes necessite dos conselhos do prof. Marcelo Rebelo de Sousa, ou qualquer outra personalidade, afinal já veio publicamente garantir que um eventual governo a que presida, não encerrará qualquer serviço do estado durante uma legislatura. Também é opositor da reforma da justiça, administração ou saúde, tudo o que signifique encerrar serviços, mesmo que inúteis, não contem com o PSD, já que Menezes necessita agradar ás bases, os autarcas do partido, numa lógica populista, carregada de demagogia pelo meio. Mesmo que venha a disputar uma parte do eleitorado á esquerda do partido, com o PS liderado pelo engº José Socrates, o que eu gostaria de perceber, é quem disputará com a abstenção, o voto dos eleitores de direita, entre os quais me incluo, sem vislumbrar no horizonte, qualquer sinal de esperança protagonizado no espaço político e ideológico em que acredito, mas que pelos vistos ninguém pretende representar. Vai sendo tempo, de não nos deixarmos intimidar com os perigos duma governação de esquerda, representada pelo PS, pois que governem, será preferível a continuar na inutilidade do chamado voto útil. Ou alguém apresenta propostas concretas, coerentes, num programa que tenha por objectivo reduzir o peso do estado na sociedade, baixando a asfixiante carga fiscal que pesa sobre particulares e empresas, redefinindo o que pretende ser o papel do estado, ou definitivamente recuso votar.

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