-São casos a mais para um político apenas. Registo também que nesta matéria das escutas ainda não vi alguém do PS, no governo ou até nos blogues oficiosos do regime, mais ou menos corporativos, afirmar a falsidade das mesmas. Todos se refugiam na ilegalidade formal da prova quanto à sua obtenção, percebo, ficamos assim sem matéria de facto que permita sustentar uma acusação em Tribunal, e mesmo sem questionar o princípio da presunção de inocência, aplicável a todos os cidadãos, não estamos governados por alguém acima de qualquer suspeita, doa a quem doer, as dúvidas que persistem são legítimas...
-Podem não conseguir resolver os problemas económicos do país, mas temos de reconhecer a eficácia dos executivos socialistas atribuindo jobs aos boys and girls que os servem. José Sócrates apenas fica aquém das nomeações de António Guterres, o que revela bem a forma como o PS encara o Estado.
-Woody Allen regressou em excelente forma, sem dúvida alguma o seu melhor filme dos últimos anos. Coincidência ou não, a acção desenrola-se em N.Y., facto comum às grandes obras deste cineasta. Momentos hilariantes de princípio a fim, mensagens subliminares, está lá tudo. A não perder.
-Enquanto a FPF mantiver no banco alguém a quem chamam treinador de futebol, incapaz de fazer uma correcta leitura de jogo ou até uma substituição, qualquer fase de qualificação será um tormento para as cores nacionais. Dinamarca, Noruega, Islândia e até Chipre serão certamente espinhos no percurso de Carlos Queiroz, resta esperar que mais uma vez a classe dos nossos jogadores faça a diferença. Pelas declarações de Gilberto Madaíl já percebemos que não irão ser retiradas consequências do incidente ontem protagonizado pelo seleccionador nacional.
-Não escondo a antipatia pela permanência de Carlos Queiroz no comando técnico da selecção nacional, várias vezes aqui critiquei a sua competência para o lugar, mas nunca até hoje fiz o mínimo reparo à sua conduta. Hoje demonstrou que para além das lacunas técnicas, também faltam a Carlos Queiroz algumas qualidades pessoais, para o exercício das funções que desempenha.
-Estamos perante um ataque dos "animal spirits"? Provavelmente, mas se olharmos para o Euro como uma manada, somos o elo mais fraco, o animal doente que caminha no fim, a presa em potência escolhida para saciar o apetite do predador. A triste realidade é que enquanto povo andámos a brincar, confiando em quem nos mentia, agora teremos um duro despertar. Acreditámos na propaganda que nos garantia estarem a fazer as reformas que o país carece, quando na verdade os três primeiros anos da anterior legislatura foram desperdiçados, tudo não passou de eleitoralismo procurando garantir a manutenção no poder. Na economia o que parece, é! A verdade, como o azeite, acaba sempre por vir à tona.
-Indiferente aos problemas estruturais do país, não há muito tempo os nossos governantes apregoavam as virtudes do investimento público. Alguns pândegos chegaram até a defender que Portugal deveria ser um país vocacionado para a produção de eventos, para a realização dos quais deveria apostar na construção de infra-estruturas. O colapso da economia grega veio desmistificar o embuste, se há país que alinha por tal paradigma é precisamente a Grécia, chegou mesmo a organizar o maior evento à escala planetária, os Jogos Olímpicos em 2004, seria normal estar agora a colher os benefícios da aposta, se eles existissem, mas a economia é o que é. Convém ter esse exemplo presente quando ouvirmos falar em Mundiais de futebol, TGV e outros luxos que países bem mais desenvolvidos não possuem. A presente crise permitiu ao governo camuflar a real situação portuguesa, já vínhamos a divergir dos nossos parceiros desde a adesão à moeda única, nunca conseguimos consolidar verdadeiramente as contas públicas, nos anos em que o défice esteve controlado, foi sempre à custa de expedientes e recurso a receitas extraordinárias, finitas por natureza. Agora que as economias europeias mostram sinais de retoma, Portugal volta a ficar para trás, será altura de repensar seriamente o modelo de organização político e administrativo, vivendo dentro das nossas possibilidades, ninguém pode gastar durante muito tempo o que não tem, seja uma família, uma empresa ou até um país, pensar que para evitar risco sistémico no Euro, os contribuintes do norte da Europa, nomeadamente alemães, nos vão pagar a factura do regabofe, será um erro, que nos pederá vir a custar muito caro.
-Ninguém de bom senso acreditará que a bizarria descrita no post anterior, tenha partido exclusivamente dos três vice-presidentes da bancada parlamentar socialista. Mas perante o coro de indignação que se levantou perante a infâmia, acabam desautorizados pelo próprio partido.
-Nem quero acreditar que o PS prepara mais um ataque aos Direitos e Liberdades dos portugueses. Após o bizarro diploma que pretende introduzir um chip nas matrículas automóveis, com o intuito de devassar os nossos hábitos enquanto aumenta os lucros da Brisa, vem agora o partido do governo defender a divulgação na internet dos rendimentos dos contribuintes. A medida visa possibilitar a cada um fiscalizar o vizinho, promovendo a denúncia, sabemos bem que Portugal é um país onde impera a inveja, a mesquinhez. Também a criminalidade organizada tem algo a beneficiar com a infâmia, poderá ser mais selectiva na escolha dos alvos para roubo, rapto ou extorsão.
-Não tenho obviamente a receita para resolver o problema da falta de competitividade da economia portuguesa, no entanto se reduzir salários pode ser uma solução, está longe de ser a única opção. A redução fiscal seria outro caminho possível, mas terá de implicar uma diminuição drástica da despesa, o que levará à discussão eternamente adiada na sociedade portuguesa, sobre o papel que queremos para o Estado. A prudência recomendaria ainda que o governo não avançasse para as grandes obras públicas, empenhando as gerações vindouras. Certo é que não podemos continuar a gastar mais do que produzimos, sob pena de ficarmos sem empresas e posteriormente sem país.